| Nova galeria de arte na Lapa abre com exposição individual da artista carioca neste sábado, 6/04|

Foto: divulgação

A Lapa é um espaço singular na cidade do Rio de Janeiro: concentra ruas, edifícios e monumentos históricos, como os Arcos da Lapa, tradicionais antiquários que deram origem à Feira do Lavradio e bares e casas noturnas que agitam as madrugadas durante toda a semana. Escolas municipais e estaduais. Universidades públicas do campo das artes: a Escola de Música, da UFRJ, e a Escola de Desenho Industrial, da UERJ. Residências de classes média e baixa. A poucos metros, em Santa Teresa, mansões. A pluralidade de públicos faz com que a Lapa seja um bairro especial. E é nele que a Galeria Desvio será inaugurada.

A abertura acontece neste sábado, dia 6 de abril, com a exposição individual Coroação da artista Mariana Maia. Desde 2011, a carioca pesquisa os dispositivos da linguagem da performance com os recortes do seu corpo – de mulher negra -, do lugar social que ele ocupa na sociedade brasileira e as relações com sua ancestralidade direta e indireta. A mostra apresentará registros fotográficos e os objetos utilizados na realização da performance Coroação, num total de 30 obras, a rodilha, os baldes e as bacias. A trajetória profissional de sua mãe como lavadeira urbana foi o ponto de partida da obra, que joga na ambiguidade, operando através dos elementos de trabalho da lavadeira. A antiga rodilha para carregar os baldes agora é coroa. A água carregada individualmente é resgatada em sua completude, por todas que trabalharam nessa posição, compondo um oceano inteiro. Mariana inscreveu nos baldes e bacias, palavras, frases e fotografias – suas na performance e de resgate histórico, assinalando as origens da pesquisa -, que, segundo ela, refazem sua própria história. A abertura da exposição contará com a performance, onde o eu e o outro têm outras conotações, uma relação permeada pela estrutura de funcionamento racista em um país que insiste em manter silêncio sobre um assunto tão caro na formação da nossa história. A curadoria é de Daniele Machado.

“Fazemos nossa própria coroação, com tecidos, fitas, sagrados. Caminhada em direção de uma fonte, erguendo baldes, suportando um oceano, refazendo os passos de nossa própria história”
(Mariana Maia)

Foto: divulgação

A Galeria Desvio realizará exposições individuais mensais que abrirão sempre no primeiro sábado de cada mês. A programação do espaço, além de exposições, incluirá o Programa Carmen de residência artística – que tem as inscrições abertas até 8 de abril de 2019 – e que engloba cursos, conversas e festivais. Comandada por jovens curadores, artistas, historiadores da arte, restauradores e designers com origens periféricas da cidade que garantem a Desvio a proposta do risco, o que não poderia ser diferente na proposta de estender o circuito de galerias de arte para um bairro como a Lapa.

Inauguração da Galeria Desvio – Coroação, exposição individual da artista Mariana Maia
Curadoria: Daniele Machado
Endereço: Avenida Gomes Freire, 625, 3º andar – Lapa – Rio de Janeiro – RJ
Data: dia 6/04 (sábado)
Horário: das 15h às 20h
Período: de 6 a 25/04/2019 – de terça a sábado, das 11h às 16h
Classificação: livre

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“Criada em 2016 como uma revista semestral universitária, para atender os desejos de graduandos da Escola de Belas Artes da UFRJ por publicar os textos que produziam nas disciplinas dos cursos, a Desvio foi crescendo com o passar do tempo. Criou o PEGA, um encontro que reúne jovens pesquisadores de artes das áreas de teoria e de prática, com espaços de exposição e de apresentação de falas, que foi a primeira exposição de muitos artistas, e vai para a terceira edição neste ano. Criou também o grupo de pesquisa “De/Sobre/Feitas por Mulheres, que neste ano lançará o livro que reúne 110 mulheres das artes que as 11 pesquisadoras levantaram desde o início do grupo, para que não faltem mais mulheres nas artes.

O tempo passou e a Desvio deixou de ser apenas uma revista da UFRJ para se tornar um espaço autônomo de arte, integrado por estudantes de arte – acadêmicos ou não – com o objetivo de produzir conteúdo sobre artes, memória e patrimônio através revistas, livros, exposições, cursos e projetos de pesquisa. O conteúdo tem o perfil do que não interessa ao atual mercado de arte: uma renovação da arte contemporânea que, ainda hoje, insiste nos ícones do passado como se nada de bom fosse produzido no presente. É a perspectiva de divulgação e colaboração na formação de artistas de curta trajetória e de artistas já consolidados, mas que são excluídos do circuito por algum recorte de classe, cor ou gênero. Acreditar em um outro sistema de arte com novas possibilidades de construir relações e metodologias.”

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